Carta ao meu pâncreas

Carta ao meu pâncreas


Carta ao meu pâncreas

Prezado Pâncreas,

Nesta carta lhe faço um pedido que volte a funcionar de forma plena em meu corpo. Os dias, meses e anos desde que resolveu abdicar de todas as suas 
funções não têm sido fáceis.

Se desejavas me castigar por alguma mazela provocada, fique satisfeito. Conseguiu com maestria, mas agora volte!

Se pretendia pregar uma peça ou avaliar o meu desenvolvimento para que eu pudesse dar o devido valor você, fique contente, pois vejo agora perfeitamente
que você desempenha este papel de forma muito superior aos meus comandos manuais.

Eu não sou capaz, mesmo que eu pudesse imaginar ou deduzir suas habilidades e consequências da sua falta de produção, eu não chegaria aos seus pés.

Tento não demonstrar minhas fraquezas ou erros, mas estes acabam sendo inevitáveis. A cada novo dia, tento refazer todas as lições e funções de você
pâncreas e minha nossa, vejo o quão é exigente e aplicado sua forma automática de ser.

Bem, agora volte, se queria que eu me humilhasse perante a sua soberana funcionalidade, já conseguiu.

Não quero rebaixar suas virtudes e nem minha pessoa, aliás, esta palavra me remete a baixar que por sua vez lembra algo pavoroso chamado hipoglicemia.

Sua partida me trouxe outra companhia, o diabetes.

Vamos combinar que esta visita é desagradável tem dias. Já servi o café e todas as refeições possíveis, mas ela não sai aqui da minha casa (meu corpo).

Podemos tratar logo da passagem de ida dela e retorno seu, ambos seu direito a compra de novos bilhetes de desembarque e embarque?

Me responda logo, não me deixei esperando.

Tenho uma vida inteira aguardando você de braços abertos.

Atenciosamente,
Eu e a Bete

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