A descobete… (descoberta da bete)

A descobete… (descoberta da bete)


A descobete… (descoberta da bete)

Era uma manhã de julho de 2014 quando fui ao laboratório na cidade que morava na Indonésia fazer uns exames de rotina. Os sintomas que tanto temia, já haviam chegado: boca seca, cansaço extremo e muita vontade de ir ao banheiro (muitas vezes em pouco tempo).

No mesmo dia à noite, fui ao médico e levei os resultados dos exames e ela com muita frieza olhou-me e disse: é uma pena, você está diabético! Aquilo soou como uma sentença de morte, pelo momento emocional que estava vivendo.

Depois de alguns morando fora de casa e numa cidade sem muitos recursos no interior da ilha da java. Saí daquele consultório, peguei minha moto tipo scooter e cheguei em casa desabando aos prantos como se não houvesse amanhã.

História comum, para a maioria de nós quando descobriram que “bete” seria nossa companheira de todos os dias e todas as horas por toda a nossa vida, mas o que era de fato diferente é que estava a 17.000 Km de minha casa e na mesma situação que enfrentava um desgaste físico, emocional e a maior depressão resultado de um burn-out que até então eu desconhecia.

A rotina de vida tinha que mudar. O queridinho do açúcar tinha de sair da dieta, e agora até as compras no supermercado seriam de outra maneira. Para quem já se aventurou pelos lados da Ásia, e é companheiro de “bete” sabe que por aqui eles não gostam muito das coisas doces.

Na Indonésia, eles são uma exceção, o açúcar é parte dos temperos mais usados até aquele frango grelhado eles colocam mel e açúcar e claro a ditosa pimenta! Seria agora uma aventura encontrar os produtos certos, lembrando que acessibilidade e comidas “diet” e “light” são conceitos do ocidente, cada vez que encontrava um biscoito com menos de 5 gr de açúcar já era uma alegria.

O pão de forma integral era amigo presente a partir de agora e até encontrei uma vez num supermercado da capital, margarina Becel, importada da Holanda que custava alguns euros e quase o meu fígado! Cada vez que ia ao supermercado e encontrava adoçantes da linha indonésia Tropicana Slim, celebrava, poderia tomar aquele cafezinho preto sem o peso na consciência e pedindo a Deus para o paladar acostumar com o sabor de sucralose e stévia.

Tive nesses primeiros meses muitos desconfortos, com a boca seca, a primeira infecção urinária (que a gente nunca esquece), e as conhecidas dores nas pernas.
A médica receitou-me metformina de 500mg duas vezes por dia e sinvastantina (estava com colesterol bem alto também).

As consultas eram mais frequentes e o diagnóstico me trouxe uma carga emocional que não aguentei suportar na Indonésia. Três meses depois de saber que estava com a “bete” regressei ao Brasil, agora mais doente emocionalmente e começo de síndrome do pânico, desempregado, e tentando recomeçar a vida em pleno início da crise política e econômica do Brasil.

Contarei mais dessa história e por onde ando agora nessa nova empreitada pela Ásia, nos acompanhe por aqui.

Wellington Barbosa
35 anos, professor universitário. De Natal-RN. Desde 2004 tem uma vida transcultural, tendo morado na Bolívia, Estados Unidos, Indonésia e atualmente na distante China. Descobriu-se diabético do tipo 2, em 2014 e desde então tem aprendido a viver melhor entre suas idas e vindas pelo mundo.

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