Mónica Sofia – Uma caminhada com diabetes em Portugal

Mónica Sofia – Uma caminhada com diabetes em Portugal


Conheça Mónica Sofia, uma jovem portuguesa e sua história com o diabetes.

“Não vejo a minha doença como minha inimiga, e que estou pronta para começar essa caminhada!”
Todos nós sabemos que ser surpreendido por uma doença é algo que magoa e muda a vida de qualquer um. Comigo não foi diferente, um dia era um simples rapariga saudável de 15 anos e no dia a seguir estava numa cama de hospital com a fresca novidade de que tinha diabetes tipo 1. Quando a médica me disse isto eu pensei, ‘’Bem a minha vida está acabada, não posso comer mais nada do que gosto.

O que é que eu fui fazer a mim própria?! Fogo, será que a culpa é minha, e se eu tivesse feito algo diferente?’’, isto é uma reação totalmente normal tendo em conta o vago conhecimento que tinha sobre a diabetes. Entrei no hospital, triagem, pulseira verde, nada de preocupante, esperei e lá ouvi o meu nome, o meu coração disparou e o meu medo engoliu-me.

Fiz análises, e de repente ouvi vozes preocupadas e passos acelerados nos corredores do hospital, não pensei que fossem a respeito da minha pessoa, lá me disseram que tinha diabetes tipo 1, uma doença crónica, disseram que não tinha culpa do que se estava a passar e que não se devia aos meus hábitos alimentares. Chorei, fui picada, tiraram-me sangue, fizeram-me vários exames, senti-me um verdadeiro rato de laboratório, desorientada, sem saber bem o que se passava, pois para mim estava tudo bem comigo, só andava meio cansada e tinha perdido peso, pensei até que fosse uma simples anemia.

Quando dei por mim estava na Unidade de Cuidados Intensivos, ligada a máquinas e rodeada de alguns desconhecidos, ao fundo via a minha mãe, preocupada, mas apesar do seu ar aterrado e com medo, ela continuava a ter aquela calma no olhar, que a mim também me acalmou. Nunca lhe agradeci, mas ela foi a razão de eu ter aguentado aquela noita da forma mais calma e forte possível, ela e o meu pai claro.

Esta noite nos cuidados intensivos foi a noite mais longa da minha vida, mas finalmente amanheceu, levei soro, potássio e melhorei. Acabei por ser levada para o internamento, quando estabilizei, colocaram-me num quarto com uma menina também com diabetes tipo 1, ela já travava esta luta há 1 ano, aprendi muito com ela, e apesar das nossas grandes diferenças de idade, ela foi uma espécie de salvação durante aquele tempo confinada àquele quarto. Chegou o dia do meu aniversário, e ainda estava internada, acabei por receber vários amigos, e todos tornaram o meu dia melhor.

Passei duas semanas internada, e depois regressei, finalmente, a casa.

Pode parecer até impossível, e é muito difícil, não vou mentir, mas vai haver um dia em que se vão conseguir adaptar a este novo estilo de vida e aceitá-lo como algo vosso, tão normal quanto ter dois olhos, um nariz e uma boca. Não digo que já lá tenha chegado, e que já leve isto como algo cem por cento positivo, mas ver a diabetes como um adversário não é com certeza uma boa abordagem.

Vão haver dias difíceis, em que se vão sentir frustrados pelo número que aparece na tela do medidor de glicémia, vão sentir que não é justo e até uma leve vontade de desistir de tentarem estar controlados, porém fases são fases, e como tal, vão passar. Não há uma receita secreta e milagrosa para aceitar de um dia para o outro esta luta e preocupação diária, a que chamamos diabetes, mas diria que se houvesse, uns dos ingredientes seriam a paciência, o empenho e a positividade.

Não me quero alongar muito, mas queria ainda dizer mais umas coisinhas, sabem quando os conselhos que vos dão parecem ‘’frases feitas’’ que não passam de mentiras para vos fazer sentir bem? Eu sei que este pode parecer um destes momentos, mas acreditem que se tentarem mudar a vossa forma de levar a doença, tudo se tornará mais fácil. A verdade, é que nós é que definimos a dificuldade das coisas, uma coisa só tem a dificuldade que tem para mim, porque eu lhe atribuí esse ‘’ grau de dificuldade’’.

Devemos agradecer por podermos ainda estar por cá, neste mundo, para medirmos a nossa glicémia e administrarmos a nossa insulina, porque ao contrário de nós, há quem já nem possa estar para passar bons momentos com as pessoas que mais ama, foquemo-nos no lado positivo de tudo!

Um muito obrigada ao blogue ‘’Eu e a Bete’’, que com tanto carinho me acolheu de modo a eu poder partilhar a minha ‘’história’’ e a mensagem que queria passar. Hoje em dia, ainda não estou totalmente positiva em relação à minha doença, nem totalmente regulada, mas posso dizer que não vejo a minha doença como minha inimiga, e que estou pronta para começar essa caminhada! E nunca se esqueçam, os diabéticos podem sim sair à noite, comer doces, praticar desporto, realizar os seus sonhos e tudo e mais alguma coisa, desde que feito de forma responsável, claro!