Sentindo só no meio da multidão

Sentindo só no meio da multidão


Você já se sentiu o único diabético do pacote de biscoito?

Curioso imaginar que neste mar de gente, eu posso ao mesmo tempo me sentir só, tendo a certeza que não é bem assim.

Compreender que existam outros ou pelo menos mais um carregando uma boma, caneta ou seringas repletas de insulina parece estranho, mas é verdade.

Entenda: Saber que tem é diferente muitas vezes, de encarar e aceitar que existam sim, pessoas iguais a mim, em todos os lugares. Mais do que eu possa imaginar.

Estranho, como no último domingo por exemplo, conhecer a filha do seu amigo na maternidade, se torna aqueles momentos inusitados com diabetes. Eu explico.

No quarto, uma das visitas olha para você e pergunta: “640 né?” e você se espanta, pois acha que pode ser tudo, exceto a referência sobre aquele acessório visível no seu bolso chamado bomba de insulina.

Tão natural pra mim, mas 99% das vezes para os outros, não.
Como não se sentir só no meio da multidão? Me coloco sempre nesta reflexão, sabendo que realmente estou longe de ser só, mas ao mesmo tempo sabendo, que muitos, optam por se isolar, confinados pela tristeza, em querer a solidão, agarrados pela dor do diagnóstico, se fechando para tudo e para todos.

E se por um acaso, este texto chegou até você, saiba que um dia eu vivi isso e algumas vezes ainda vivo, não se culpe, não ache errado, apenas saiba que nesta vida, o diabetes não chegou apenas pra você, mas para dezenas, centenas, milhares de pessoas como nós…

Se pensar em começar a sair da solidão, estamos aqui. Tenha certeza que dispostos a compartilhar muitas coisas desta vida que no meu caso, optei em sair do singular e virar “Eu e a Bete” para início de conversa.

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