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Olá, quero dividir minha experiência, como mãe de DM1 em Portugal.

Meu filho foi diagnosticado, num dia que passou muito mal e foi atendido na urgência do Hospital Pediátrico de Coimbra. Imediatamente socorrido, após estar estabilizado foi encaminhado para os Cuidados Intensivos (UTI no Brasil), para estar mais seguros nos primeiros 3 dias.

Dentro do próprio hospital, logo nas primeiras horas dos cuidados, já recebemos o que seria companhia do meu filho pela vida toda: um glicosímetro e a caneta de insulina. Lá no internamento, aprendemos a lidar com tudo, com as aplicações, contagem de hidratos, informações sobre a doença e todos os detalhes pertinentes aos cuidados necessários. Aprendemos sobre hipos e hipers, como agir em função de cada uma. Aprendemos sobre a alimentação e também tivemos suporte psicológico para administrar a chegada da nossa nova companhia.

Todo o tratamento é comparticipado pelo Estado, seja consulta, medicamentos ou suprimentos necessários.

Explicando em miúdos: temos uma equipe médica, para a qual somos encaminhados. Essa equipe é constituída de enfermeiros habilitados a nos dar treinamento e informações de novidades sobre o tratamento. Temos um médico responsável, endocrinologista/diabetologista, com o qual, normalmente, passamos por consultas a cada 3 meses. Temos também uma nutricionista, que nos orienta com toda a parte alimentar mais indicada ao tratamento, o que facilita muito nosso dia a dia.

Existem também as consultas de oftalmologia, nefrologia, cardiologia, dermatologia e todas as especialidades inerentes ao suporte do tratamento. Essas consultas, via de regra são anuais, mas cada caso, um caso.

Passando aos medicamentos: Portugal só utiliza insulina análoga. Tanto a insulina de ação rápida, como a insulina lenta são 100% comparticipadas pelo Estado.

Com relação aos suprimentos: agulhas, lancetas para picadores também são comparticipados em 100%. As únicas coisas que o Estado não comparticipa integralmente são as tiras para medir a glicemia e os sensores libre. No caso das tiras, em média, os valores normais são de 18 euros. Pagamos somente, em média 2,74 euros. No caso dos sensores libre, seu custo normal é de 60 euros, mas pagamos somente 7,25 euros. No caso das fitas e dos sensores a diferença fica a encargo do Estado.

Canetas, glicosímetros, leitores do sensor libre, por norma são dados pelos laboratórios e conseguimos através da equipe que nos atende.

Com relação a bomba de insulina, existem alguns critérios para recebê-las. Alguns fatores como idade, doentes em risco, grávidas dão prioridade para receber bomba. É preciso verificar cada caso em específico. A bomba também é oferecida 100% pelo Estado, obedecendo aos tais critérios específicos.

O material necessário (cateteres e afins) para a bomba é oferecido às custas do Estado, mas existe aí um controle. O que for excedente ao necessário usado no ano é despesa do utente. Ou seja, é feito um cálculo da quantidade de suprimentos necessários para passar o ano. Se o utente utilizar mais que o que foi contabilizado, arca com estas despesas.

Não conheço nenhum caso que tenha despesas com esses produtos.

Em breve, poderei falar com mais propriedade sobre a situação da bomba, pois meu filho irá receber a dele brevemente.

Somos também seguidos por um médico de família (Clínico Geral), que ficam nos Centros de Saúde. Estamos vinculados a esses Centros de acordo com nossa região de residência. Eles também podem nos passar receitas para medicamentos e suprimentos e nos auxiliam com informações. É, também, através do Centro de Saúde que somos encaminhados as especialidades médicas, que fazem o atendimento pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS).

Por Ana Castro

“Diabetes. Portugal tem dos melhores tratamentos do mundo. Falta prevenção.” Diário de Notícias.

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