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A História do Diabetes

Criado por Monica Santos em 24 de maio de 2018

Quando crianças, somos colocados em escolas que nos educam sobre diversas matérias. Ao crescermos, escolhemos uma profissão e fazemos uma faculdade para ter a educação necessária sobre a área.

Porque ao sermos diagnosticados com Diabetes não somos indicados para receber uma educação sobre aquilo que nos acompanhará para o resto de nossas vidas? Pelo menos por enquanto...

Então vamos a um pouco de história:

- Em1872, no Egito, tem-se o primeiro documento conhecido a fazer referência a uma doença que se caracterizava por emissão frequente e abundante de urina.

- No século II DC, na Grécia Antiga, foi que esta enfermidade recebeu o nome de diabetes. Este termo significa “passar através de um sifão” e explica-se pelo fato de que a poliúria, que caracterizava a doença, assemelhava-se à drenagem de água através de um sifão.

- Mais adiante, médicos indianos teriam sido os primeiros a detectar a provável doçura da urina de pacientes com diabetes a partir da observação de que havia maior concentração de formigas e moscas em volta da urina de pessoas com diabetes. O que só foi confirmado a partir dos estudos de Willis, no século XVII, e Dobson, no século XVIII, na Inglaterra. O primeiro provou efetivamente a urina de um paciente com diabetes e referiu que era “doce como mel”. E o segundo aqueceu a urina até o ressecamento, quando se formava um resíduo açucarado, fornecendo as evidências experimentais de que pessoas com diabetes eliminavam de fato açúcar pela urina.

- Em meados do século XIX foi sugerido, por Lanceraux e Bouchardat, que existiriam dois tipos de diabetes, um em pessoas mais jovens, e que se apresentava com mais gravidade (talvez daí surja a pergunta: “seu diabetes é do tipo grave?”), e outro em pessoas com mais idade, de evolução não tão severa, e que surgia mais frequentemente em pacientes com peso excessivo.

- O tratamento até o século XX era baseado na noção de que o diabético necessitava uma alimentação extra para compensar as perdas de material nutritivo pela urina.  Com esse raciocínio, estimulava-se que o paciente com diabetes comesse tanto quanto conseguisse. Utilizou-se tratamento no qual a ingestão de açúcar era excessiva para que o paciente voltasse a ganhar peso. Como não deu certo, partiram para o oposto, uma alimentação totalmente restrita de carboidratos. Já que este parecia o maior vilão. O sistema de jejum alguns dias resultou no desaparecimento da glicosúria em alguns dos pacientes e notou- se também que o exercício poderia aumentar a tolerância de uma pessoa com diabetes aos carboidratos.

A dificuldade que os pacientes com diabetes têm em seguir dietas sempre foi e ainda é o maior problema encontrado pelos médicos no tratamento dessa doença. 

- A partir da metade do século XIX começou a haver um acúmulo de evidências, a partir de autópsias em pessoas com diabetes, de que a doença algumas vezes se acompanhava de dano ao pâncreas do paciente e, ainda mais importante, que pacientes com pâncreas muito danificado quase sempre tinham diabetes.

- Em 1901, estudiosos dos EUA, conseguiram demonstrar uma conexão entre diabetes e dano às misteriosas ilhotas de Langerhans, e desde então começou-se a acreditar que as ilhotas de Langerhans produziriam essa secreção interna do pâncreas.

- Comparado ao tratamento da tireoide, iniciou-se a administração de pâncreas, nas mais variadas formas.  Extratos pancreáticos, extrato de pâncreas juntamente com adrenalina, até chegarem a uma secreção interna do pâncreas que controlava o metabolismo dos açúcares.

- Em 1920 já se conseguia com 0,2 ml fazer um teste de glicose no sangue, sendo que em 1910 requeria pelo menos 20 ml. A partir de então, o emprego da medida da glicose sanguínea impulsionou a pesquisa do diabetes, pois era muito mais fácil avaliar as flutuações rápidas da glicose no sangue do que medindo o influxo horário de glicose na urina.

- Em 1920 começou a tentativa de isolamento da secreção interna pancreática. E em 1921, após tentativas em vários animais, conseguiram o isolamento da secreção interna pancreática e surgiu o encorajamento para partir para experimentos em humanos.

- A partir daí começou-se então a extração de grande quantidade de insulina a partir dos pâncreas de bovinos e suínos. A insulina foi sendo cada vez mais refinada, porém ainda assim alguns pacientes produziam anticorpos anti-insulina bovina. Por isso, em 1973 foi lançada a insulina suína monocomponente, geneticamente mais próxima à do homem. No início da era insulínica, uma das questões mais difíceis de resolver era a necessidade de múltiplas aplicações, pois ela tinha uma duração aproximada de ação de 4 horas. Pensa como devia ser sofrido aplicar insulina com seringas de vidro e agulhas enormes e mesmo depois de toda evolução no tratamento, hoje percebemos que é a melhor opção! Muito tempo e verbas foram dispendidas até a produção da insulina com maior tempo de ação, a insulina Neutral Protamine Hagedorn (NPH), que persiste no mercado até hoje.

Esse foi um momento marcante para o Diabetes. A partir desse momento as pessoas com diabetes passaram a ter uma expectativa e uma qualidade de vida maior. Muitas evoluções ainda aconteceram e vamos falar delas em breve!

Um beijo!

Mônica Santos

Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Capa do jornal "Toronto Daily Star" de 22 de março de 1922 traz a história da insulina na manchete principal com fotos dos cientistas envolvidos (Wikimedia Commons/Divulgação)

Monica Santos

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