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Ter diabetes em Portugal

Criado por Ana Castro em 23 de maio de 2018

Olá, quero dividir minha experiência, como mãe de DM1 em Portugal.

Meu filho foi diagnosticado, num dia que passou muito mal e foi atendido na urgência do Hospital Pediátrico de Coimbra. Imediatamente socorrido, após estar estabilizado foi encaminhado para os Cuidados Intensivos (UTI no Brasil), para estar mais seguros nos primeiros 3 dias.

Dentro do próprio hospital, logo nas primeiras horas dos cuidados, já recebemos o que seria companhia do meu filho pela vida toda: um glicosímetro e a caneta de insulina. Lá no internamento, aprendemos a lidar com tudo, com as aplicações, contagem de hidratos, informações sobre a doença e todos os detalhes pertinentes aos cuidados necessários. Aprendemos sobre hipos e hipers, como agir em função de cada uma. Aprendemos sobre a alimentação e também tivemos suporte psicológico para administrar a chegada da nossa nova companhia.

Todo o tratamento é comparticipado pelo Estado, seja consulta, medicamentos ou suprimentos necessários.

Explicando em miúdos: temos uma equipe médica, para a qual somos encaminhados. Essa equipe é constituída de enfermeiros habilitados a nos dar treinamento e informações de novidades sobre o tratamento. Temos um médico responsável, endocrinologista/diabetologista, com o qual, normalmente, passamos por consultas a cada 3 meses. Temos também uma nutricionista, que nos orienta com toda a parte alimentar mais indicada ao tratamento, o que facilita muito nosso dia a dia.

Existem também as consultas de oftalmologia, nefrologia, cardiologia, dermatologia e todas as especialidades inerentes ao suporte do tratamento. Essas consultas, via de regra são anuais, mas cada caso, um caso.

Passando aos medicamentos: Portugal só utiliza insulina análoga. Tanto a insulina de ação rápida, como a insulina lenta são 100% comparticipadas pelo Estado.

Com relação aos suprimentos: agulhas, lancetas para picadores também são comparticipados em 100%. As únicas coisas que o Estado não comparticipa integralmente são as tiras para medir a glicemia e os sensores libre. No caso das tiras, em média, os valores normais são de 18 euros. Pagamos somente, em média 2,74 euros. No caso dos sensores libre, seu custo normal é de 60 euros, mas pagamos somente 7,25 euros. No caso das fitas e dos sensores a diferença fica a encargo do Estado.

Canetas, glicosímetros, leitores do sensor libre, por norma são dados pelos laboratórios e conseguimos através da equipe que nos atende.

Com relação a bomba de insulina, existem alguns critérios para recebê-las. Alguns fatores como idade, doentes em risco, grávidas dão prioridade para receber bomba. É preciso verificar cada caso em específico. A bomba também é oferecida 100% pelo Estado, obedecendo aos tais critérios específicos.

O material necessário (cateteres e afins) para a bomba é oferecido às custas do Estado, mas existe aí um controle. O que for excedente ao necessário usado no ano é despesa do utente. Ou seja, é feito um cálculo da quantidade de suprimentos necessários para passar o ano. Se o utente utilizar mais que o que foi contabilizado, arca com estas despesas.

Não conheço nenhum caso que tenha despesas com esses produtos.

Em breve, poderei falar com mais propriedade sobre a situação da bomba, pois meu filho irá receber a dele brevemente.

Somos também seguidos por um médico de família (Clínico Geral), que ficam nos Centros de Saúde. Estamos vinculados a esses Centros de acordo com nossa região de residência. Eles também podem nos passar receitas para medicamentos e suprimentos e nos auxiliam com informações. É, também, através do Centro de Saúde que somos encaminhados as especialidades médicas, que fazem o atendimento pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS).

Por Ana Castro

“Diabetes. Portugal tem dos melhores tratamentos do mundo. Falta prevenção.” Diário de Notícias.

Ana Castro

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  1. Boa noite!
    Gostei muito da sua matéria!
    Vou me mudar para Portugal em janeiro.
    Minha filha, de 12 anos, tem diabetes tipo 1, diagnosticada em janeiro de 2016.
    Chegando em Portugal, vou ver como tudo funciona... É a minha grande preocupação, o bem estar dela!
    Queria te perguntar se o libre é fornecido pelo estado, e depois só pagamos uma parte dos sensores?
    Obrigada,
    Márcia Cardoso

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Blog dedicado a compartilhar informações e experiências da vida com diabetes tipo 1.
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